uniban

Novembro 8, 2009

Eu estou muito chocada com o episódio Uniban. Mesmo estudando as relações de gênero e conhecendo, cada dia um pouco mais, as complexas e perversas sujeições que, secularmente, os homens impuseram — e impõe — às mulheres, é difícil compreender e aceitar que, em pleno século 21, uma manifestação tão primitiva e agressiva de machismo possa acontecer no país do samba, da praia, do futebol arte, do carnaval. O nome disso é hipocrisia. Todo mundo está cansado de saber que a “liberdade sexual do brasileiro” é história pra gringo ver (e comprar!). A sensação que tive ao ver as imagens da estudante sendo escoltada pela polícia, enquanto uma massa acéfala de músculos gritava “puta, puta, puta”, é que os homens apenas toleram a presença e a participação das mulheres nos espaços de saber-poder. Não conquistamos legitimamente espaço nenhum. Ocupamos (o que é bem diferente) aos trancos e barrancos esses espaços e mesmo assim continuamos atravessadas na garganta de muito machão que acha que o tamanho da saia é referência de decoro ou moralidade. É como se as lutas feministas da década de 60 e 70 não tivessem servido para nada. É muito triste para uma pessoa que teima em acreditar que a “sociedade” está se tornando mais tolerante. Enquanto mulheres forem tratadas como objeto de uso e abuso de homens (bestializados) vai ser muito difícil acreditar em igualdade de gênero.

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