Tomei banho de rio e de mar.

Andei de bicicleta.

Li A Sangue Frio, do Truman Capote – o livro mais incrível dos últimos tempos!

Terminei de escrever o meu primeiro livro.

Chorei de rir com uma amiga que eu não via há sete anos. Aliás, decidi nunca mais ficar sete anos sem ver as pessoas que amo. Por isso, tenho que ir à Valência, Roma, Londres, Paris, Buenos Aires, Lima, Barcelona, Rio de Janeiro, Ouro Preto e Mariana. Desde o começo dessa semana, uma sensação estranha: part(ir)

fevereiro 5, 2010

Lavo as calcinhas, os dentes e os cabelos. Volto para o quarto de dormir, não durmo. Ando pela casa e encontro um espaço dobrado no meio da sala: read the book. Escuto, ao longe, o som do metrô. Depois só meu pulso: 97 pulsações por segundo. Encontro um pedaço de papel velho, manchado de violeta genciana. Agarro-me à palavra esfarelada. Faço com ela uma pequena escultura. Mordo e lambo, me corto com as arestas. Não parece flor. Tem cheiro de medo.

janeiro 4, 2010

férias totais…ufa!

dezembro 20, 2009

férias parciais…

irresistível

dezembro 15, 2009

Comprei e — contra todos os imperativos— estou lendo (com um novo par de olhos) o velho texto.

“A Lagarta e Alice se olharam por algum tempo em silêncio. Por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca e disse, dirigindo-se a Alice com uma voz calma e sonolenta:
– Quem é você?
Não foi um modo muito encorajador de começar a conversa. Alice respondeu, um pouco acanhada:
– Eu… Eu neste momento não sei muito bem, minha senhora… Pelo menos, quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que depois mudei várias vezes…
– O que você quer dizer com isso? – perguntou a Lagarta secamente. – Você não pode se explicar melhor?
– Eu acho que não consigo me explicar, minha senhora, pois não sou mais eu mesma, como a senhora pode ver.
– Não vejo nada… – disse a Lagarta.
– Receio que eu não possa ser mais clara – respondeu Alice educadamente – já que, para começar, eu mesma não consigo entender o que se passa. E, além do mais, ficar de tantos tamanhos diferentes num só dia é uma coisa que deixa a gente muito confusa.”

sobre o cinema

dezembro 12, 2009

Fui ver Abraços Partidos, do Almodóvar, e chorei. Básico. Só, que desta vez, não chorei porque uma história de amor impossível (a base de qualquer melodrama) termina mal. O filme faz uma linda homenagem ao gênero e é cheio de auto-referências — do gazpacho com tranquilizantes (quem se lembra de Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos?) à pequena aparição de Chus Lampreave (O que eu fiz para merecer isso? Maus Hábitos; A Flor do meu segredo; Volver; Matador e tantos outros, sempre “musa” discreta).
Chorei porque Almodóvar ama o cinema e ama o amor. E isso basta. Abraços Partidos é um grande elogio a essas duas obsessões. Penso no que sou e no que era antes de ser quebrada ao meio pelo cinema (antes de kieslowiski). Poderia viver sem o cinema? Sem essa pequena alucinação — completa e compacta — a minha toca do coelho…

Listinha dos filmes que mais gostei em 2009:

No cinema:

1. Abraços Partidos (Pedro Almodóvar/Espanha)
2. Caro Sr. Horten (Bent Hamer/Noruega)
3. Nanayo (Naomi Kawase/Japão)
4. Corações Livres (Susanne Bier/Dinamarca)
5. Bem-Vindo (Philippe Lioret/França)
6. Simplesmente Feliz (Mike Leigh/Inglaterra)
7. Entre os muros da escola (Laurent Cantet/ França)
8. Estella (Sylvie Verheyde/França)
9. Kaleldo (Brillante Mendonza/Filipinas)
10. Milk (Gus Van Sant/ EUA)
11. Rio Congelado (Courtney Hunt/EUA)

*Depois faço a listinha dos filmes que assisti em casa.

bonitinho

dezembro 12, 2009

dezembro 7, 2009

O amor viajou, foi para o Rio e me deixou sozinha, não vou sofrer mais que o normal, ou seja, só vou morrer um pouquinho: me jogar no rio arrudas, arrancar os cabelos, comer o esmalte das unhas. E pensar que o amor nem existia quando eu vim morar na casa de janelas grandes e luz. Depois de dois assaltos, muitas baratas, cupim, cheiro do ralo e problemas hidráulicos, eu e o amor (o amor primeiro do que eu) chegamos à conclusão que é preciso mudar, rápido.
Fico sozinha na chuva. Todas as cobertas têm cheiro de veneno para matar cupim. Pelo menos o amor deixou comida. Não saio de casa nem para comprar pão. Sobrevivo com a comida que ele traz da rua e deixa no armário da cozinha. Ele também compra fruta no sacolão e coloca roupa na máquina para lavar. Sigo minha dieta de macarrão c/azeite + chocolate + vinho branco seco. Meu sonho era ser a Nigella: feliz e gorda. Desligo a TV. Ligo o computador. Trabalho. Descanso. Trabalho. Escrevo + escrevo+ escrevo. Alongo o pescoço + passo cataflam gel no braço direto. Coço os olhos. Limpo os óculos. Mato pernilongos. Bato com a porta na cara, quer dizer, o contrário. Depois caio da cadeira (literalmente). Não faço nada. Nem choro. Adianta? Durmo tarde, quando durmo. Faço minhas estúpidas colagens. Sempre me sinto como uma menina de nove anos que nunca aprendeu a colorir e, depois de grande, fica feliz recortando e colando pedacinhos de papel. Fiz uma série chamada The Litlle Queen. O umbigo na cabeça. Escuto Ná Ozzetti + Madredeus + Silvinha Telles. Para ser sincera tenho orgulho de ser um fracasso como dona de casa.”Coitada” da minha mãe e das minhas tias e da minha avó e de todas as minhas tias avós (do interior) que tentaram (durante anos) me transformar numa moça prendada. Pulo das alturas. Toque de recolher.

romance

dezembro 6, 2009

Descobri esse livro: casais “reais” são fotografados no seu “cotidiano”. Algumas fotos são lindas, mas, como um todo, acho falso. Parece um simulacro de felicidade, beirando o clichê dos editoriais de moda, da publicidade, das fotos de casamento (mesmo sendo uma brincadeira…) às vezes os casais parecem mais modelos do que casais, com algumas exceções, pois, pois…
Eu fico pensando sobre o amor, quer dizer sobre a representação do amor, e estou mais inclinada a achar que ele é mais “real” quanto mais se aproxima de uma imagem meio borrada, meio fora do lugar, como as personagens da Miranda July e do Caio Fernando Abreu.

dezembro 2, 2009

impressões

Fechando opinião sobre a literatura de Miranda July + ainda aberta a futuras impressões parciais e imparciais. o conto “mon plaisir” é bonito e triste, como o amor.

Tem um distanciamento que me interessa. Os personagens são todos tão abandonados de afeto, como se vivessem numa ilha onde o amor nunca atraca ou, quando aparece, naufraga…

lendo quinhentas coisas ao mesmo tempo. isso não é bom. preciso me apaixonar, preciso, preciso, preciso…se não vou voltar para o antigo amor, que sempre roça levinho meu cabelo, sopra mentiras de purpurina nos meus ouvidos e me embala a dor.

“[...] sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus…como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme…só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando! [...]
Caio F.orever