Uniban – parte 2
Novembro 8, 2009
Fiquei sabendo hoje, ao ler o texto do Hélio Schwartsman na Folha: a estudante foi expulsa da faculdade, acusada de “desrespeito à dignidade acadêmica e à moralidade”.
sem palavras.
uniban
Novembro 8, 2009
Eu estou muito chocada com o episódio Uniban. Mesmo estudando as relações de gênero e conhecendo, cada dia um pouco mais, as complexas e perversas sujeições que, secularmente, os homens impuseram — e impõe — às mulheres, é difícil compreender e aceitar que, em pleno século 21, uma manifestação tão primitiva e agressiva de machismo possa acontecer no país do samba, da praia, do futebol arte, do carnaval. O nome disso é hipocrisia. Todo mundo está cansado de saber que a “liberdade sexual do brasileiro” é história pra gringo ver (e comprar!). A sensação que tive ao ver as imagens da estudante sendo escoltada pela polícia, enquanto uma massa acéfala de músculos gritava “puta, puta, puta”, é que os homens apenas toleram a presença e a participação das mulheres nos espaços de saber-poder. Não conquistamos legitimamente espaço nenhum. Ocupamos (o que é bem diferente) aos trancos e barrancos esses espaços e mesmo assim continuamos atravessadas na garganta de muito machão que acha que o tamanho da saia é referência de decoro ou moralidade. É como se as lutas feministas da década de 60 e 70 não tivessem servido para nada. É muito triste para uma pessoa que teima em acreditar que a “sociedade” está se tornando mais tolerante. Enquanto mulheres forem tratadas como objeto de uso e abuso de homens (bestializados) vai ser muito difícil acreditar em igualdade de gênero.
eu adoro quando ela está apaixonada…
porque se sujar faz bem…
Outubro 30, 2009
Voltei para as colagens: sintomático. De repente, começo a recortar e colar papéis, juntar e picar papéis, guardar obsessivamente papéis e papeizinhos, receitas médicas, bulas, recibos de táxi, cupom fiscal de supermercado, notinha de padaria, cobrança de banco, recortes de revistas, pedaços das páginas amarelas, convites de casamento, bilhetes pregados na porta da geladeira, embrulho de presente, selos e santinhos. Fiz várias séries. As mulheres desiludidas, inspiradas na minha triste Simone. Rancorosas, olhando sem olhos pra baixo. Depois veio a fase nuvem. Depois a fase árvore. Depois coisas que não sei nomear, os artistas plásticos podem dizer: abstrações.
Agora recorto retratos antigos, que foram cuidadosamente surrupiados da caixa de fotos do meu pai. Tenho medo, como se adulterasse uma relíquia familiar. Uma das fotos, onde se via eu e minha irmã, vestidas de Mulher Maravilha, na porta da minha casa, em Ouro Preto, se transformou num mosaico de prédios marrons. Uma cidade escrita de palavras. Nuvens violetas sob uma receita médica que denúncia toda minha incapacidade de entrar em acordo com o fuso-horário local. Na outra (a mais radical) recortei o anjinho do pau oco que fui quando era criança e deixei apenas a moldura: o altar da igreja do Pilar. No buraco, o branco encardido da parede nem de longe lembra a menina (com as mãozinhas postas) e o olhar doce por fora e agridoce por dentro. Apago todas as mentiras dos meu passado. A palavra brancura é uma delas, palavra que só existe em propaganda de sabão em pó…
Errata
Outubro 30, 2009
Agora o endereço do blog som e palavra
é
http://sompalavra.blogspot.com
fichinha
Outubro 23, 2009
A tecnologia só me azucrina.
Tenho os olhos cansados e ardidos, como se tivessem soprado areia fina em cima deles.
Meu relógio biológico AINDA não se adaptou ao horário de verão.
Não durmo bem noites seguidas, mas pelo menos não fico achando que vou morrer se não dormir. Quer dizer, meu analista falou que eu vou morrer um dia. Fiquei com a pulga atrás da orelha. Será?
Hoje, depois de duas semanas de indecisão, decidi: mantenho o processo e seguro a barra.
+ 1 blog
Outubro 21, 2009
Agora eu tenho um bloguinho novo, da oficina que dou com o Pedro Aspahan, na Oi Kabum!
Ainda não tem muita coisa, mas a idéia é publicar as produções (visuais, sonoras, poéticas) dos meninos e meninas (fofos) com nome e sobrenome, cheios de histórias, sonhos, medos, espinhas, trancinhas, chapinhas, skates, fichários, mochilas, chaveiros, celulares, namorados…
http://sompalavra.wordpress.com
Longe, longe, longe. Não consigo escrever. Dor de cabeça. Eu tenho que achar aquilo que chamam de estilo. O que?? cadê? Pra que? O lugar (exato) onde o texto sou eu inteira e ele diz pra mim: palavra depois de palavra, sem medo sem fim…
PS: adorei a brincadeira das inveções…as coisas são mesmo muito importantes!
paulicéia desvairada – parte 2
Outubro 21, 2009
Voltei de São Paulo escutando o Ie, Ie, Ie do Arnaldo Antunes que já gosto MUITO. Comecei a gostar de verdade — com ouvidos de escutar e não pressa de ouvir — no dia que o massa crítica* me deixou plantada, uma hora e meia, esperando no gramado da Unicamp. Foi o primeiro dia que vi um céu azul, que tirei cachecol e moletom e que, consequentemente, esqueci cachecol e moletom. O primeiro dia que vi o dia atardinhar…
Massa crítica é um ônibus fretado que leva e traz (diariamente) pessoas que moram em SP e estudam e/ou trabalham na Unicamp. Ele sai cedinho de São Paulo. Vai e volta lotado. È mais caro que os ônibus convencionais, mas bem mais prático. O amigo da minha amiga me indicou. Ele disse pra eu ligar para o “dono” da linha, o Sr. Antônio e reservar um lugar. Eu liguei:
— Oi, Sr. Antônio.
— Tudo bom? Meu nome é Flávia e eu fiquei sabendo do ônibus do senhor…será que tem um lugarzinho pra mim amanhã?
Ele respondeu: claro…meu ônibus é muito conhecido…ele é conhecido mundialmente, minha filha…
Entrevistei o João Silvério (chorei)
Conheci o Glauco Mattoso e ganhei livros de presente.
Comprei livros que procuro há quase dez anos
Comi a melhor comida indiana dos últimos tempos
Andei de metrô
Vi fotos da Lina Bo Bardi e as colagens do Matisse e o Museu da Língua Portuguesa (um fiasco, doeu) e os Russos, no Centro Cultural Banco do Brasil. Tinha um Chagal lindo, mas o melhor quadro dos últimos tempos foi o Femme, do Malevich (incrível). longe, longe, longe…